Sol e chuva

Graveto seco, terra seca estorricada...
Onde a água mais que nada, é bem mais valioso.
Sol quente, sombra escassa. Foge a caça, o passarinho.
Mandacaru é o verde protegido de espinho;
Lá, onde o sabiá Canta e guarda o seu ninho.

É a caatinga, engaço seco, gado magro.
Homem pobre do roçado faz milagre sem saber.
Tira o chapéu e pede a Deus que mande a chuva,
Pois assim na luta, refrigério ele vai ter.

Na sua fome, dividindo um bocado;
Os amores da sua vida, todos tristes e mal-tratados.
Ô! minha senhora! Paciência meus meninos!
Só Deus sabe o destino desse povo sofredor.

Partir daqui, só aumenta meu penar;
Pedacinho por pedacinho eu conheço o meu
Lugar. E o mundo lá de fora eu não sei onde
Vai dar.

Eu rezei tanto, pedi tanto ao meu senhor.
Fiz promessa para o santo e o santo me ajudou.
Já cai a chuva nas terras do meu sertão;
Toda água suga terra, para debaixo do chão.

Nasce primeiro uns pezim de berdoega, nasce folha
e a planta pega tem pressa crescer.

chame José, mariinha, e João, ponha agua no feijão
é tanta boca pra comer; mas chegue cedo vamos fazer mutirão
abres as covas e planta grão, que a chuva faz nascer.

menino deixa lá de brincadeira!
pegue a enxada vem limpando a cabeceira!
menina vai chamar a tua mãe! e aproveita atiça
o fogo do feijão.

o sol é certo, certo é verão.
se tem inverno vou cuidar da plantação.
mas lhe digo a verdade!
nasço e morro;
nas terras do meu sertão.




Jesus, Elton