Sou nascido do ventre de uma Maria, misturada a tantas outras milhares de “marias” que há por aí; meados de mil novecentos e setenta e quatro. Era 29 de abril quando mais um choro era ouvido, um sorriso. Mais um moleque despencara nas mãos de uma parteira que por ingratidão da minha mente não hei de recordar agora seu nome; mais um menino graúdo aumentando a prole daquela pobre mãe solteira; sem eira nem beira, mas cheia de afeto e gosto, que dava gosto de ver. Cresci num beco de terra solta, brincava à sombra de frondosos cajueiros, e tinha a caatinga como extensão do meu quintal; ali fazíamos nossas necessidades, que logo eram devoradas pelas galinhas criadas soltas, que depois de gordas pela farta “ração” acabavam na panela, para alimentar a gurizada. Desde cedo, aprendi que a vida é dura pra quem não tem o que herdar; Trabalhar com enxada, catar castanha na roça dos outros e levar carreira kkkk, catar ferro, osso, lata, tudo isso fez parte da minha simples infância que daria tudo para revivê-la. Sete filhos: três homens e quatro mulheres uma mãe guerreira, que nunca jamais deixou seus filhos passarem fome; e no dia oito de dezembro a maior festa de Nova Soure, estávamos lá; Saudáveis, limpos, vestidos. Pobre protetora analfabeta de pai e mãe, sempre sonhou com todos seus filhos na escola; e sempre dizia: estudem! Não façam como sua mãe que não pôde e nem teve chance de estudar. Hoje, seus filhos não se tornaram doutores; nível superior ainda não quem sabe?Mas tenho certeza, que ela hoje dorme feliz ao saber que para a vida formara pessoas do bem; enquanto tantos pais que têm toda estrutura necessária, fracassam na criação de seus filhos. Mas... estava falando de mim e, portanto... Quero concluir dizendo, que sou ainda um cabloco sonhador, mesmo tendo noção de que o tempo não perdoa, não espera e, que tudo no mundo exige pressa, mas que nunca é tarde para sermos felizes. Não há tempo suficiente para sonhar, por isso tenho metas a serem alcançadas, se serão realizadas não sei; só sei que dependem de mim.
Minha vida as vezes, parece um filme em preto e branco. Lembro-me, dos filmes antigos; Músicas antigas e; nunca as atuais; Primeira professora (Nildinha); primeira aula do Ginásio; 1º refrigerante da vida(guaraná taí); Filarmônica no coreto, Filmes no fundo da igreja, Missa aos domingos, Ofelis de sinhá carlita, São joão nas casas, Festas no clube social. Duião e chancha; Da muda, que morava num pé de limão; Das presepadas de anjinho; Das mentiras de joão calça curta; Da rua do taio preto; lorotas de Maria Berro grosso; Da cara de peixe de Zé enfermeiro; O Sorriso bom de sinhá Duda; O Busto de Padre gaitto; O cristo morto da igreja; Os presépios de natal. O querosene lá no seu Nilo; As jacas partidas e devoradas na feira; Os banhos de riacho em João de nanã; As pescarias de gereré com tia zabé, A barriga de Chico da cachaça, As caçadas de badogue, Os jogos no peladão, As vaquejadas. Zidorinho meu avô, Minha Dinha, Militão, Moacir de piu, Tota bacalhau, D. Julia e Gabriel, Martin do Arroz, Joaquim de nane, Zé Bambão, O retratista, O Cinema, A praça. COMO ERA BOM O POVO! COMO ERA BOM NOVA SOURE! Assim sou eu. Saudosista. Simples. Amigo. Amável.